segunda-feira, 28 de março de 2011



ÁLBUM DE SELOS Lettie Cowman


"Por isso vos digo que tudo o que pedirdes em oração, crede que o recebereis, e tê-lo-eis."
Marcos 11:24

Quando meu filho tinha uns dez anos, a avó prometeu-lhe um álbum de selos para o Natal.
Chegou o Natal, mas nada do álbum, e nenhuma linha da vovó.
Contudo o assunto não foi comentado; mas quando os amiguinhos vieram ver seus presentes, fiquei surpresa - depois de ter enumerado os vários presentes recebidos, ele acrescentou:
- E um álbum de selos, da vovó.
Depois de ouvir isto por diversas vezes, chamei-o e disse-lhe:
- Mas Jorginho, você não recebeu o álbum. Por que está falando assim?
Houve um olhar de surpresa em seu rosto, como se estivesse achando estranho que eu lhe fizesse aquela pergunta. E respondeu:
- Bem, mamãe, mas se a vovó disse que manda, é a mesma coisa.
Eu não tive o que dizer.
Passou-se um mês, e nada se ouviu do álbum.
Um dia, finalmente, pensando em meu coração por que o álbum não teria vindo eu lhe disse, para provar sua fé:
- Jorginho, eu acho que a vovó se esqueceu da promessa.
- Não, mamãe, disse ele com firmeza, não esqueceu, não.
Olhei para a carinha confiante, que por um momento ficou séria e grave, como se ele estivesse considerando no íntimo a possibilidade do que eu havia sugerido.
A seguir seu rosto iluminou-se e ele me disse:
- Mamãe, será que não seria bom eu escrever para a vovó, agradecendo o álbum?
- Não sei, respondi, pode escrever.
Uma rica verdade espiritual começou a raiar no meu horizonte.
Em poucos minutos uma cartinha estava pronta e encaminhada ao correio.
E lá foi ele assobiando, confiante na vovó.
Poucos dias depois chegou uma carta, dizendo:
"Querido Jorginho, não me esqueci da promessa. Procurei um álbum como você queria, mas não o encontrei. Então encomendei um de Nova Iorque, mas só chegou depois do Natal, e ainda não era como você queria. Já pedi outro, mas como ainda não chegou, mando-lhe agora o dinheiro para comprar um aí. Com amor, Vovó."
Enquanto lia a carta, estampava no rosto um ar de vitória.
- Está vendo, mamãe, eu não lhe disse?
E essa frase saía do fundo de um coração que não duvidara, e que em esperança crera "contra a esperança", que o álbum viria.
Enquanto ele confiava, a vovó trabalhava, e no tempo próprio, a fé tornou-se vista.
É tão próprio de nós, seres humanos, querermos ver imediatamente a resposta de Deus, quando agimos baseados nas suas promessas.
Mas o Salvador disse a Tomé e a todos os que, como ele, também duvidam:
"Bem-aventurados os que não viram e creram." João 20:29
Extraído do Livro: Mananciais no Deserto – Edição do Milênio

UM SOM POR UM PERFUME Autor Desconhecido

Um pobre viajante parou ao meio-dia para descansar à sombra de uma frondosa árvore. Ele viera de muito longe e sobrara apenas um pedaço de pão para almoçar. Do outro lado da estrada, havia um quiosque com tentadores pastéis e bolos; o viajante se deliciava sentindo as fragrâncias que flutuavam pelo ar, enquanto mascava seu pedacinho de pão dormido. Ao se levantar para seguir caminho, o padeiro subitamente saiu correndo do quiosque, atravessou a estrada e agarrou-o pelo colarinho. - Espere aí! - gritou o padeiro. - Você tem que pagar pelos bolos! - Que é isso? - protestou o espantado viajante. - Eu nem encostei nos seus bolos! - Seu ladrão! - berrava o padeiro. - É perfeitamente óbvio que você aproveitou seu próprio pão dormido bem melhor, só sentindo os cheirinhos deliciosos da minha padaria. Você não sai daqui enquanto não me pagar pelo que levou. Eu não trabalho à toa não, camarada! Uma multidão se juntou e instou para que levasse o caso ao juiz local, um velho muito sábio. O juiz ouviu os argumentos, pensou bastante e depois ditou a sentença. - Você está certo - disse ao padeiro. - Este viajante saboreou os frutos do seu trabalho. E julgo que o perfume dos seus bolos vale três moedas de ouro. - Isso é um absurdo! Objetou o viajante. - Além disso, gastei meu dinheiro todo na viagem. Não tenho mais nem um centavo. - Ah... - disse o juiz. - Neste caso, vou ajudá-lo. Tirou três moedas de ouro do próprio bolso e o padeiro logo avançou para pegar. - Ainda não - disse o juiz. - Você diz que esse viajante meramente sentiu o cheiro dos seus bolos, não é? - É isso mesmo - respondeu o padeiro. - Mas ele não engoliu nem um pedacinho? - Já lhe disse que não. - Nem provou nem um pastel? - Não! - Nem encostou nas tortas? - Não! - Então, já que ele consumiu apenas o perfume, você será pago apenas com som. Abra os ouvidos para receber o que você merece. O sábio juiz jogou as moedas de uma mão para outra, fazendo-as retinir bem perto das gananciosas orelhas do padeiro. -
Se ao menos você tivesse a bondade de ajudar esse pobre homem em viagem - disse o juiz -, você até ganharia recompensas em ouro, no céu...