sexta-feira, 14 de maio de 2010



Era uma vez um escritor que morava em uma tranqüila praia, junto de uma colônia de pescadores.

Certo dia, caminhando na praia, ele viu um vulto que parecia dançar.

Ao chegar perto, ele reparou que se tratava de um jovem que recolhia estrelas-do-mar da areia, para, uma por uma, joga-las novamente de volta ao oceano.

Por que está fazendo isso? - perguntou o escritor.

Você não vê! - explicou o jovem - A maré está baixa e o sol está brilhando. Elas irão secar e morrer se ficarem aqui na areia

O escritor espantou-se.

Meu jovem, existem milhares de quilômetros de praias por este mundo afora, e centenas de estrelas-do-mar espalhadas por elas. Que diferença faz? Você joga umas poucas de volta do oceano. A maioria vai perecer de qualquer forma.

O jovem pegou mais uma estrela na praia, jogou de volta ao oceano e olhou para o escritor e disse:

Para essa eu fiz a diferença.

Naquela noite o escritor não conseguiu escrever, sequer dormir. Pela manhã, procurou o jovem, uniu-se a ele e, juntos, começaram a jogar estrelas-do-mar de volta ao oceano.

Sejamos, portanto, mais um dos que querem fazer do mundo um lugar melhor.

Que sua noite seja serena .


Aos sete anos de idade, eu desejava muito estudar violino e mamãe, com algum sacrifício, comprou o instrumento e contratou um professor para mim.

Após algumas semanas, vi que não conseguia executar nenhuma melodia e que tinha de fazer exercícios por horas intermináveis.
Então eu disse a minha mãe que havia desistido e ia abandonar o estudo.

Morávamos um pouco distante da cidade e foi enquanto caminhávamos - ela fora me buscar ao término de uma das aulas - que eu lhe expliquei o motivo do meu desânimo.
Por acaso passávamos pela casa de uma pessoa amiga que possuía um formoso pomar.
- Veja, disse minha mãe, que frutas maravilhosas!

O espetáculo incendiou a minha imaginação infantil. Havia maçãs, pêras, laranjas. Os galhos pendiam de tão carregados.
- Você gostaria de experimentar uma? Mamãe me perguntou.
- Oh! Gostaria sim. Aquela laranja grande e amarela como gema de ovo.
- Pois então pegue-a.
- Mas eu não posso, por causa da cerca. Além do mais, será que a dona do pomar vai permitir?
- É mesmo. Você tem razão. Falaremos com ela.

Minha mãe chamou-a e ela consentiu, dizendo:
- O portão do pomar fica ali adiante. É só vocês darem a volta.
Mamãe agradeceu e nós subimos até o pequeno portão, que ela abriu. Corri, colhi a laranja e voltei alegremente, com ela na mão. Então mamãe me disse:
- Está vendo? Para saborearmos os frutos apetecidos é necessário gastar algum tempo e caminhar, dar algumas voltas. Aquilo que realmente desejamos quase nunca está ao alcance de nossas mãos. Você vai ver que será assim durante toda a sua vida...

Imediatamente veio-me à cabeça a história do violino.
Voltei às aulas e aos exercícios, até que fui capaz de executar as minhas melodias prediletas.
E, ao longo de toda minha vida, guardei a lição de minha mãe quanto à necessidade de se empregar o tempo e dar as voltas precisas para alcançar os objetivos.